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A HISTÓRIA DE OLIVER STAWN

Jennifer sentou-se à varanda numa cadeira de balanço. Portava em seu colo um portfólio que continha inúmeros recortes de jornais sobre seu marido, Oliver Stawn. Antes de começar a folheá-lo e admirá-lo uma vez mais, olhou a rua observando a tranquilidade daquele bairro. Logo, voltou seu olhar para aquele material produzido, anos a fio, por ela mesma. Pôs-se a vê-lo cuidadosamente. Tinha verdadeira admiração pelo marido, oficial da Unidade de Serviços Emergenciais (USE), de Nova York. Esse departamento fornece equipamento especial, peritos e apoio para várias unidades, dentro do Departamento de Polícia da Cidade de Nova York (NYPD). A responsabilidade da USE é tratar de situações extremas, de socorrer acidentes a desabamento de prédios e situações com reféns.

A admiração de Jennifer não era à toa. Oliver era considerado um dos policiais mais íntegros e respeitados da corporação, tendo sido condecorado por diversas vezes por atos de bravura e heroísmo em momentos delicados em que soube manter a serenidade e salvar vidas, aliás, isso era o que ele sabia fazer de melhor: salvar vidas. Nos momentos de confronto, conseguia dominar a situação pela ação da palavra ou pela ação enérgica, mas sem mortes. Homem idôneo, de caráter irrevogável e acima de qualquer suspeita, jamais se envolveu em escândalos e nunca se deixou corromper, como outros colegas da unidade.

Oliver e Jennifer eram pessoas religiosas, trabalhavam em prol da comunidade carente. Estavam casados havia 40 anos e tiveram um filho, formado em Direito, hoje trabalhando em Boston. Possuíam amor e respeito mútuo que fazia deles pessoas admiráveis. Jennifer, recentemente, aposentou-se. Oliver iria fazê-lo nos próximos dias. Tinham planos de viajar e conhecer o México, pela sua culinária. Outro desejo era o de ter mais tempo juntos, principalmente para conversar na varanda, tomando vinho tinto e ouvindo canções que admiravam, como as de John Lennon. Tudo parecia maravilhoso e ansiavam por esses momentos.

Enfim, chegou o dia tão esperado para o casal. O marido levantou-se bem cedo, disposto e com o semblante sereno de sempre. Jennifer o levou à porta.

– Querido, hoje é um dia especial.

– Sim, o dia da minha aposentadoria. Último dia no trabalho, depois de longos anos...

– Seja cauteloso e não vá bancar o herói. Está me entendendo? – indagou com um sorriso no rosto, levando os lábios para receber um beijo.

– Aguarde-me com uma taça de vinho para comemorarmos este dia, está bem?

– Com certeza, querido.

Quando Oliver estava se retirando, voltou-se à esposa.

– Afinal, que dia é hoje?

11 de setembro.

– Será um dia inesquecível...

– Será sim...

Oliver chegou à corporação às 8 horas. Teve uma recepção calorosa por parte dos amigos daquela unidade. Emocionou-se. Fez um breve discurso, agradeceu a todos pelo carinho e prometeu não sumir de suas vidas.

Seu superior perguntou-lhe se queria ficar na parte administrativa naquele último dia, mas Oliver, como era de se esperar, respondeu:

– Quero trabalhar normalmente, senhor. Quero que seja um dia especial.

 A homenagem estava no final quando receberam um chamado de emergência: “Acidente! Um avião da American Airlines atingiu a Torre Norte do WTC”.

Aquilo soou como um pesadelo...

       

Quando a USE chegou ao local da catástrofe (1), o corpo de bombeiros já se encontrava agindo no salvamento das pessoas. A primeira impressão foi de que aquilo seria um desastre aéreo; quando, porém, o segundo avião atingiu a torre sul, evidenciou-se um atentado terrorista.

O lugar estava um caos. As pessoas que se encontravam acima da colisão do avião, não teriam como sobreviver, pois nem com os helicópteros da NYPD seria possível se aproximar por conta da intensidade das chamas e da fumaça. Com os elevadores inutilizados e sem condições de apagar um incêndio daquela magnitude, restava salvar as pessoas que estavam abaixo da zona de impacto e isso deveria ser feito pelas escadas, missão considerada extremamente difícil, afinal, eram mais de 100 andares e centenas de pessoas desesperadas buscando uma saída.

Muitas pessoas apavoradas pulavam ou eram sugadas para fora das janelas das torres. Outras morriam por inalação de gases tóxicos, de lacerações, múltiplas fraturas, queimaduras, pisoteadas, e até de ataque cardíaco. Eram cenas fortes e comoventes.

Quando Oliver Stawn entrou na torre sul, a segunda a ser atingida, pressentia que seria um caminho sem volta. Ainda ouviu de colegas da USE o pedido que não entrasse, e sim socorrer os que estavam sendo retirados com vida. Mas, intimamente, julgava necessário escalar aquelas escadas e salvar vidas como sempre fez, e foi com essa heroica determinação que adentrou à torre com seus colegas.

Pela televisão, Jennifer assistia a tudo apreensiva pela situação catastrófica e por saber se seu marido estava naquele turbilhão. Sua inquietação aumentou quando a torre norte, a primeira a ser atingida, desabou. Ela deu um grito de desespero, chorando copiosamente. Parecia não acreditar naquelas cenas de horror que mais pareciam o fim do mundo.

Com a queda da torre, uma nuvem de poeira invadiu a vizinhança, promovendo uma onda de estilhaços de madeira, projéteis de ferro, entulhos. Pessoas corriam desesperadas para não serem atingidas, jogavam-se atrás de carros a fim de se protegerem. Em poucos minutos, a atmosfera ficou sufocante, e as pessoas cobertas de fuligem.

Oliver e seus colegas da USE e do corpo de bombeiros, continuavam a direcionar os indivíduos à saída principal, dando condições de se salvarem. Sabia que a torre estava prestes a desmoronar, mas em nenhum momento pensou em abandonar a operação. Por um instante, pensou em Jennifer, no seu eterno amor...

Jennifer chorava ao telefone com o filho quando a torre sul desabou. Ela teve um mau pressentimento. Ajoelhada no chão, aos prantos, entendia que Oliver não sobreviveria àquela tragédia...

        

Graças à ação eficaz dos policiais da USE e do corpo de bombeiros, muitas vítimas foram salvas. Eles foram condecorados e considerados heróis, principalmente aqueles que não sobreviveram à catástrofe. Sabiam que iriam morrer e, mesmo assim, foram valentes e enfrentaram a morte em prol daqueles que precisavam salvar. Cada um deixou o seu legado...

 

Agora, Jennifer estava na varanda, com o portfólio de Oliver no colo. Passou a mão pela foto do marido, deixou correr uma lágrima pelo rosto.

– Por que você se foi? Fizemos tantos planos. Aquela garrafa de vinho que iríamos beber juntos continua guardada, a sua espera. Sinto tanto a sua falta, de nossas conversas na varanda...

Neste instante, o espírito de Oliver Stawn aproxima-se de sua amada. Ele está sereno, um espírito protetor o acompanha naquela visita. Oliver emana boas vibrações à querida esposa, sua Jennifer.

– Pelo menos, dê-me um sinal de que está bem – diz Jennifer, sentindo-se mais tranquila com as vibrações do marido.

Olhou para a cadeira de balanço ao lado, onde Oliver se sentava.

– Gostaria tanto que você estivesse aqui agora...

Neste instante, com a força do pensamento (2), Oliver balança a cadeira levemente. Jennifer se assusta, mas sente uma atmosfera agradável.

Naquele momento, ela compreende que o marido está bem...

Intuitivamente ela começa a cantar a música Imagine, de John Lennon, uma das preferidas do casal.

 

Texto extraído do livro "Seu Legado para o Mundo" - Autor: Marco Tulio Michalick -  Comentários: Orson Peter Carrara

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Escrito por Marco Tulio Michalick às 10h06
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Seu Legado para o Mundo

    

Personagens de histórias que comoverão o leitor formam o conjunto de capítulos desta obra. Em diálogos e relatos profundos, o texto sensibiliza pela sabedoria e pelo estímulo ao crescimento e aprimoramento das virtudes humanas. Notam-se, com clareza, os comportamentos que conclamam a uma nova postura diante da vida e dos seus desafios. O bombeiro, a menina e o músico, a graça de Maggie e outras histórias com certeza tocarão seu coração para sempre.

Autor: Marco Tulio Michalick 

Prefácio e comentários de Orson Peter Carrara.

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Escrito por Marco Tulio Michalick às 20h26
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